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10 fatos sobre testosterona que todo homem deveria saber

Como a testosterona é dosada, o que derruba seus níveis, quando a reposição é indicada, quais são os riscos e o que diz o CFM sobre o uso estético de hormônios.

Homem correndo em uma estrada de terra sob céu azul
Imagem ilustrativa · Foto: Jenny Hill / Unsplash

Em resumo

  • O diagnóstico de testosterona baixa exige sintomas e pelo menos duas dosagens baixas, colhidas pela manhã.
  • Obesidade, apneia do sono e alguns medicamentos reduzem a testosterona, e tratar essas causas pode elevá-la.
  • A reposição suprime a produção de espermatozoides e exige acompanhamento de hematócrito e próstata.
  • Prescrever testosterona para estética, ganho de massa ou desempenho é vedado pelo CFM desde 2023.

A testosterona virou assunto de rede social, academia e propaganda. Entre promessas e medos, vale separar o que a ciência sabe. Aqui estão dez fatos para entender o tema antes de qualquer decisão.

1. Não é um hormônio só dos homens

A testosterona é o principal hormônio sexual masculino, mas as mulheres também a produzem, em quantidade muito menor. Nos homens, ela participa da libido, da ereção, da produção de espermatozoides, da massa muscular, dos ossos, da produção de sangue e do humor.

2. O horário do exame importa

Os níveis são mais altos de manhã e caem ao longo do dia. Por isso, a dosagem deve ser feita pela manhã, de preferência em jejum. Um resultado colhido à tarde pode parecer baixo sem que haja deficiência.

3. Um exame isolado não fecha o diagnóstico

Segundo a diretriz da Endocrine Society, o diagnóstico de deficiência exige sintomas compatíveis e níveis baixos confirmados em pelo menos duas coletas. Doenças agudas, noites mal dormidas e dietas muito restritivas podem baixar o resultado temporariamente.

4. A queda com a idade é gradual e variável

Os níveis de testosterona tendem a cair aos poucos a partir da meia-idade, mas a variação entre os homens é grande. Muitos homens mais velhos mantêm níveis normais. Idade, por si só, não é motivo para reposição.

5. Peso, sono e medicamentos pesam muito

Obesidade, apneia do sono, sono curto, diabetes, uso excessivo de álcool e medicamentos como opioides e corticoides reduzem a testosterona. A boa notícia: perder peso e tratar a apneia podem elevar os níveis. Veja emagrecer depois dos 40.

6. Os sintomas se confundem com outros problemas

Libido baixa, dificuldade de ereção, cansaço e desânimo também aparecem com depressão, estresse, doenças da tireoide, anemia e efeitos de remédios. Por isso a avaliação vai além da testosterona; o guia de reposição hormonal explica como ela costuma ser feita.

7. A reposição pode causar infertilidade

A testosterona usada como tratamento sinaliza ao cérebro que não é preciso produzir mais hormônio, e isso reduz a produção de espermatozoides. Homens que planejam ter filhos precisam discutir alternativas antes de começar.

8. Quem faz reposição precisa de exames periódicos

O tratamento pode aumentar o hematócrito (a concentração de glóbulos vermelhos), o que eleva o risco de trombose. Também é preciso acompanhar a próstata conforme a idade, a pressão arterial e os sintomas. Doses e intervalos são ajustados nos retornos.

9. O coração: o que mostrou o estudo TRAVERSE

Publicado em 2023, o TRAVERSE acompanhou mais de 5 mil homens com deficiência de testosterona e risco cardiovascular. A reposição não aumentou infartos, AVCs nem mortes cardiovasculares em comparação com o placebo. Por outro lado, houve mais casos de arritmia (fibrilação atrial), lesão renal aguda e embolia pulmonar. O resultado tranquiliza quem tem indicação, mas não autoriza o uso sem critério.

10. Uso estético é proibido

Desde abril de 2023, a Resolução CFM nº 2.333 veda a prescrição de esteroides anabolizantes, incluindo a testosterona, para fins estéticos, ganho de massa muscular ou melhora de desempenho. O uso fora de indicação médica está associado a infertilidade, alterações no coração e no fígado, acne, queda de cabelo e mudanças de humor.

Quem busca mais músculo tem caminhos seguros, como treino de força e alimentação adequada; leia como evitar a perda de massa muscular.

Quando procurar avaliação

Se você tem sintomas como os descritos acima, procure avaliação antes de fazer exames por conta própria ou comprar qualquer produto. Leve a lista de medicamentos e suplementos que usa e, se tiver, exames anteriores. Veja o que levar à primeira consulta.

Perguntas frequentes

Testosterona baixa tem cura?

Depende da causa. Quando ela está ligada a obesidade, apneia do sono ou medicamentos, tratar o problema de base pode normalizar os níveis. Em outros casos, como lesões nos testículos ou na hipófise, a reposição pode ser necessária por tempo prolongado.

Reposição de testosterona causa infarto?

O estudo TRAVERSE, com mais de 5 mil homens com deficiência e risco cardiovascular, não mostrou aumento de infarto, AVC ou morte cardiovascular com a reposição. Houve, porém, mais casos de arritmia, lesão renal aguda e embolia pulmonar, o que reforça a necessidade de indicação e acompanhamento.

Posso usar testosterona se quero ter filhos?

A testosterona usada como reposição reduz a produção de espermatozoides e pode causar infertilidade. Quem planeja ter filhos deve conversar com o médico sobre alternativas antes de qualquer tratamento.

Fontes consultadas

  1. Testosterone Therapy in Men With Hypogonadism: An Endocrine Society Clinical Practice Guideline — Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, 2018
  2. Cardiovascular Safety of Testosterone-Replacement Therapy (estudo TRAVERSE) — New England Journal of Medicine, 2023
  3. Resolução CFM nº 2.333/2023 — Conselho Federal de Medicina

Conteúdo informativo, que não substitui a consulta. Medicamentos e procedimentos citados dependem de avaliação, indicação e acompanhamento médico; resultados variam de pessoa para pessoa.

Guia completo.

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