Em resumo
- O diagnóstico de testosterona baixa exige sintomas e pelo menos duas dosagens baixas, colhidas pela manhã.
- Obesidade, apneia do sono e alguns medicamentos reduzem a testosterona, e tratar essas causas pode elevá-la.
- A reposição suprime a produção de espermatozoides e exige acompanhamento de hematócrito e próstata.
- Prescrever testosterona para estética, ganho de massa ou desempenho é vedado pelo CFM desde 2023.
A testosterona virou assunto de rede social, academia e propaganda. Entre promessas e medos, vale separar o que a ciência sabe. Aqui estão dez fatos para entender o tema antes de qualquer decisão.
1. Não é um hormônio só dos homens
A testosterona é o principal hormônio sexual masculino, mas as mulheres também a produzem, em quantidade muito menor. Nos homens, ela participa da libido, da ereção, da produção de espermatozoides, da massa muscular, dos ossos, da produção de sangue e do humor.
2. O horário do exame importa
Os níveis são mais altos de manhã e caem ao longo do dia. Por isso, a dosagem deve ser feita pela manhã, de preferência em jejum. Um resultado colhido à tarde pode parecer baixo sem que haja deficiência.
3. Um exame isolado não fecha o diagnóstico
Segundo a diretriz da Endocrine Society, o diagnóstico de deficiência exige sintomas compatíveis e níveis baixos confirmados em pelo menos duas coletas. Doenças agudas, noites mal dormidas e dietas muito restritivas podem baixar o resultado temporariamente.
4. A queda com a idade é gradual e variável
Os níveis de testosterona tendem a cair aos poucos a partir da meia-idade, mas a variação entre os homens é grande. Muitos homens mais velhos mantêm níveis normais. Idade, por si só, não é motivo para reposição.
5. Peso, sono e medicamentos pesam muito
Obesidade, apneia do sono, sono curto, diabetes, uso excessivo de álcool e medicamentos como opioides e corticoides reduzem a testosterona. A boa notícia: perder peso e tratar a apneia podem elevar os níveis. Veja emagrecer depois dos 40.
6. Os sintomas se confundem com outros problemas
Libido baixa, dificuldade de ereção, cansaço e desânimo também aparecem com depressão, estresse, doenças da tireoide, anemia e efeitos de remédios. Por isso a avaliação vai além da testosterona; o guia de reposição hormonal explica como ela costuma ser feita.
7. A reposição pode causar infertilidade
A testosterona usada como tratamento sinaliza ao cérebro que não é preciso produzir mais hormônio, e isso reduz a produção de espermatozoides. Homens que planejam ter filhos precisam discutir alternativas antes de começar.
8. Quem faz reposição precisa de exames periódicos
O tratamento pode aumentar o hematócrito (a concentração de glóbulos vermelhos), o que eleva o risco de trombose. Também é preciso acompanhar a próstata conforme a idade, a pressão arterial e os sintomas. Doses e intervalos são ajustados nos retornos.
9. O coração: o que mostrou o estudo TRAVERSE
Publicado em 2023, o TRAVERSE acompanhou mais de 5 mil homens com deficiência de testosterona e risco cardiovascular. A reposição não aumentou infartos, AVCs nem mortes cardiovasculares em comparação com o placebo. Por outro lado, houve mais casos de arritmia (fibrilação atrial), lesão renal aguda e embolia pulmonar. O resultado tranquiliza quem tem indicação, mas não autoriza o uso sem critério.
10. Uso estético é proibido
Desde abril de 2023, a Resolução CFM nº 2.333 veda a prescrição de esteroides anabolizantes, incluindo a testosterona, para fins estéticos, ganho de massa muscular ou melhora de desempenho. O uso fora de indicação médica está associado a infertilidade, alterações no coração e no fígado, acne, queda de cabelo e mudanças de humor.
Quem busca mais músculo tem caminhos seguros, como treino de força e alimentação adequada; leia como evitar a perda de massa muscular.
Quando procurar avaliação
Se você tem sintomas como os descritos acima, procure avaliação antes de fazer exames por conta própria ou comprar qualquer produto. Leve a lista de medicamentos e suplementos que usa e, se tiver, exames anteriores. Veja o que levar à primeira consulta.
Perguntas frequentes
Testosterona baixa tem cura?
Depende da causa. Quando ela está ligada a obesidade, apneia do sono ou medicamentos, tratar o problema de base pode normalizar os níveis. Em outros casos, como lesões nos testículos ou na hipófise, a reposição pode ser necessária por tempo prolongado.
Reposição de testosterona causa infarto?
O estudo TRAVERSE, com mais de 5 mil homens com deficiência e risco cardiovascular, não mostrou aumento de infarto, AVC ou morte cardiovascular com a reposição. Houve, porém, mais casos de arritmia, lesão renal aguda e embolia pulmonar, o que reforça a necessidade de indicação e acompanhamento.
Posso usar testosterona se quero ter filhos?
A testosterona usada como reposição reduz a produção de espermatozoides e pode causar infertilidade. Quem planeja ter filhos deve conversar com o médico sobre alternativas antes de qualquer tratamento.
Fontes consultadas
- Testosterone Therapy in Men With Hypogonadism: An Endocrine Society Clinical Practice Guideline — Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, 2018
- Cardiovascular Safety of Testosterone-Replacement Therapy (estudo TRAVERSE) — New England Journal of Medicine, 2023
- Resolução CFM nº 2.333/2023 — Conselho Federal de Medicina
Conteúdo informativo, que não substitui a consulta. Medicamentos e procedimentos citados dependem de avaliação, indicação e acompanhamento médico; resultados variam de pessoa para pessoa.



