Em resumo
- A exclusividade da semaglutida no Brasil terminou em 20 de março de 2026, depois que o STJ negou a prorrogação da patente.
- Em agosto, a Anvisa aprovou o primeiro genérico em caneta, da EMS, e um medicamento similar da Germed.
- O genérico usa semaglutida sintética e precisa demonstrar equivalência ao medicamento de referência.
- As regras de uso continuam as mesmas: indicação médica, receita retida e acompanhamento.
A Anvisa aprovou, em agosto de 2026, o registro do primeiro genérico de semaglutida em caneta injetável do Brasil. O produto, da farmacêutica EMS, recebeu o nome Ozivy e foi aprovado para o controle do diabetes tipo 2 e, em doses específicas, para o tratamento da obesidade e do sobrepeso. A agência também aprovou um medicamento similar à base de semaglutida, da Germed.
Por que agora
A semaglutida era protegida por patente no Brasil. A Lei de Patentes garante 20 anos de exclusividade contados a partir do pedido, e esse prazo terminou em 20 de março de 2026. A fabricante do medicamento de referência tentou estender a proteção na Justiça, alegando demora do INPI na análise, mas o Superior Tribunal de Justiça negou o pedido em dezembro de 2025.
Com o fim da exclusividade, outras empresas puderam pedir registro de versões próprias.
Sintético, e não biológico
O medicamento de referência é produzido por via biológica. A EMS desenvolveu uma versão sintética da semaglutida, o que permitiu o registro na categoria de genérico. Para isso, o produto precisa demonstrar equivalência ao medicamento de referência, conforme as regras da Anvisa.
O genérico foi aprovado em quatro apresentações de caneta, na concentração de 1,34 mg/mL. O similar da Germed tem as mesmas apresentações; similares podem diferir em itens como excipientes, embalagem e prazo de validade.
Preço e chegada às farmácias
Na data da aprovação, a EMS ainda não havia divulgado data de lançamento nem preço, que dependem da definição de produção e distribuição. A expectativa geral é de que a concorrência ajude a reduzir custos, o que pode ampliar o acesso e diminuir a procura por produtos irregulares vendidos na internet.
O que não muda
- Indicação médica: o uso para obesidade continua restrito a adultos com IMC a partir de 30, ou a partir de 27 com doenças associadas ao peso.
- Receita retida: desde junho de 2025, a farmácia retém uma via da receita desses medicamentos.
- Cuidados: efeitos colaterais, contraindicações e a perda de massa muscular seguem os mesmos; veja o guia das canetas emagrecedoras.
- Manutenção: o peso tende a voltar quando o tratamento é suspenso sem planejamento.
Para um panorama do que mais mudou no tratamento da obesidade neste ano, como novas doses e comprimidos, leia novidades em 2026.
Perguntas frequentes
O genérico funciona igual ao medicamento de referência?
Para ser registrado como genérico, o produto precisa demonstrar equivalência ao medicamento de referência segundo as regras da Anvisa. A indicação, a dose e o acompanhamento seguem os mesmos critérios.
Posso trocar o medicamento que já uso pelo genérico?
Converse com o médico antes. A troca envolve conferir a dose, a apresentação da caneta e a forma de aplicação, que podem ser diferentes.
O genérico dispensa receita?
Não. A retenção de receita vale para os medicamentos dessa classe, inclusive genéricos e similares.
Fontes consultadas
- Anvisa aprova primeiro genérico de semaglutida em caneta no Brasil — Conselho Federal de Farmácia, agosto de 2026
- Exclusividade do Ozempic expira em 7 dias; veja o que diz Lei de Patentes — CNN Brasil, março de 2026
- STJ nega estender prazo de patente do princípio ativo do Ozempic — Migalhas, dezembro de 2025
Conteúdo informativo, que não substitui a consulta. Medicamentos e procedimentos citados dependem de avaliação, indicação e acompanhamento médico; resultados variam de pessoa para pessoa.




